Genocídio armênio
Você já ouviu essa história? Há 90 anos, o povo armênio quase foi exterminado pelos turcos. E, até hoje, luta pelo reconhecimento internacional do massacre, que vitimou 1,5 milhão de pessoas
por Yuri Vasconcelos
Era 24 de abril de 1915. Na manhã daquele Sábado de Aleluia, em meio às comemorações da Páscoa cristã, cerca de 600 intelectuais, políticos e religiosos da comunidade armênia que viviam no então Império Turco-Otomano, atual Turquia, foram presos sob a acusação de conspiração e traição. Com a Primeira Guerra Mundial incendiando o planeta, os turcos, aliados dos alemães, lutavam contra a Tríplice Entente, formada pela Inglaterra, França e Rússia, e acusaram os armênios de apoiar as tropas inimigas. Enviados para a prisão de Mehder-Hané, na capital Constantinopla, hoje Istambul, os líderes armênios acabaram sumariamente executados. Muitos foram fuzilados e outros enforcados em praça pública. A ação, coordenada pela cúpula do partido governista Ittihad, conhecido como partido dos Jovens Turcos, deu início a uma das piores atrocidades da história da humanidade: o genocídio armênio, um sangrento massacre em que morreram cerca de 1,5 milhão de pessoas. Estima-se que, naquela época, o Império Otomano abrigava por volta de 2 milhões de armênios.
Passados 90 anos da tragédia, muitos historiadores acreditam que o genocídio fez parte de um processo de limpeza étnica, com a intenção de eliminar o povo armênio. Ou seja, uma versão turca do Holocausto, que matou, segundo estimativas, entre 2 e 5 milhões de judeus. Os assassinatos foram meticulosamente planejados por um triunvirato que estava no comando do país, formado por Mehmet Talaat, ministro do Interior e futuro primeiro-ministro turco, Ismail Enver, ministro da Guerra, e Ahmed Jemal, ministro da Marinha. Uma série de telegramas, tornados públicos depois da matança, revelavam detalhes do plano de extermínio. A estratégia era diversificada, mas a maior parte das vítimas morreu durante longas e penosas jornadas de deportação que tinham como destino o deserto de Der-El-Zor, localizado no território sírio, naquela época parte do Império Otomano. “Os turcos alegavam que os armênios precisavam deixar suas casas por causa do avanço das tropas da Entente e organizavam caravanas de morte, formadas por mulheres, crianças e idosos. Muitos levavam a chave de casa, achando que iriam voltar”, diz o professor de geopolítica James Onnig Tamdjian, de 39 anos, neto de armênios que sobreviveram ao genocídio. “No meio do caminho, os armênios sofriam abusos. As mulheres eram violentadas, seus filhos raptados e a maioria morria de fome, sede, doença ou frio. Os poucos que chegavam aos campos de concentração tinham poucas chances de sobreviver.”
Já os homens morriam assassinados no front de batalha da Primeira Guerra. Se antes eles não podiam nem integrar as forças armadas turcas, agora haviam sido convocados para se alistar no Exército. Só que não podiam pegar em armas. “Enquanto cavavam trincheiras, eram executados pelos próprios soldados otomanos. A convocação para o serviço militar foi um pretexto para deixar as aldeias desprotegidas”, afirma Tamdjian. Há relatos também de vilas e povoados destruídos, saqueados e incendiados pelas forças turcas e por milícias apoiadas pelo governo central. E as atrocidades não paravam por aí. “Muitos armênios foram queimados vivos nas aldeias. Outras vezes, a tortura consistia em enterrar a vítima até o pescoço para, logo em seguida, cobrir o rosto com cal virgem ou sal. As jovens armênias eram vendidas como escravas e as crianças eram encaixotadas vivas e atiradas no Mar Negro”, relata Nubar Kerimian, no livro Massacres de Armênios. “Os padres também eram queimados amarrados em cruzes, como Jesus, e os fetos, arrancados dos ventres das mães, jogados para o ar e aparados na espada.”
O genocídio atingiu mais fortemente as comunidades campesinas e de pequenas localidades da Anatólia, a região montanhosa que compreende a porção asiática da Turquia moderna. Naquela época, a Armênia Oriental, atual território da República da Armênia, era protegida pelos russos, inimigos declarados dos turcos. Nas grandes cidades do Oeste, como Constantinopla, a presença de estrangeiros inibia os massacres, já que o governo otomano tentava esconder da comunidade internacional as atrocidades perpetradas dentro de suas fronteiras. Mesmo assim, as notícias sobre os massacres acabaram vazando e chegaram ao conhecimento de governantes de outros países, que condenaram a ação, mas não tomaram medidas para evitar a matança.
O período mais duro do genocídio ocorreu entre 1915 e 1918. Quando a Primeira Guerra Mundial chegou ao fim, os turcos, derrotados, foram forçados a assinar o Tratado de Sèvres, que tornou independente Síria, Egito, Líbano, Palestina e, também, Armênia. As escaramuças entre turcos e o povo armênio, no entanto, haviam começado bem antes daquele sábado da Semana Santa. Entre 1894 e 1896, quando o Império Otomano encontrava-se em franca desintegração, estima-se que entre 100 mil e 300 mil armênios tenham sido executados. “Em muitas cidades, propriedades armênias eram destruídas. Os assassinatos aconteciam durante o dia, presenciados pela população”, diz o historiador Edwin Bliss, autor do livro Turkey and the Armenian Atrocities (A Turquia e as Atrocidades Armênias, inédito no Brasil).
A justificativa para esses massacres, ordenados pelo sultão Abdul-Hamid II, foi uma suposta colaboração armênia com os russos, considerados inimigos do Império. Entre 1877 e 1878, a Rússia entrou em guerra contra os turcos e saiu vitoriosa, conquistando largas porções da Armênia Ocidental que estavam sob domínio otomano. Além disso, as autoridades turcas queriam frear o ímpeto separatista dos armênios, que reivindicavam a independência. No final dos anos 1880, o movimento nacionalista ganhou forças e três partidos revolucionários (Armenakan, Hentchakuian e Federação Revolucionária Armênia) foram formados, fazendo com que Abdul-Hamid II, em represália, elevasse os impostos sobre a comunidade armênia. “O que fez com que os armênios apoiassem os russos foram as péssimas condições em que viviam no Império, onde eram alvos de agressões e tinham direitos limitados. Esse cenário fez com que eles se armassem e formassem milícias para defender suas vilas e aldeias”, afirma James Tamdjian.
A terceira e última fase das atrocidades começou em 1920 e estendeu-se por três anos. Depois de desfrutar dois anos de independência (entre 1918 e 1920), a República da Armênia havia sido anexada à nascente União Soviética. Desta vez, a violência foi dirigida a armênios que haviam retornado às suas casas na Anatólia Oriental após o final da Primeira Guerra Mundial. As execuções, torturas, expulsões e maus-tratos foram arquitetados e promovidos pelo governo nacionalista de Mustafá Kemal Atatürk, considerado o pai da Turquia moderna. Em 1923, a população armênia na Turquia estava restrita à comunidade existente em Constantinopla.
Embora os armênios tenham sido trucidados pelos turcos, é importante dizer que durante muito tempo esses dois povos viveram em harmonia. A porção de terra conhecida como Armênia Histórica, que hoje engloba a República da Armênia e parte da Anatólia (veja mapa na página ao lado), foi conquistada pelo Império Otomano por volta do ano 1375. Durante 600 anos, os turco-otomanos formaram um dos mais poderosos impérios do planeta, que, no seu auge, se estendia pelo norte da África (Argélia, Marrocos, Egito), Oriente Médio (Líbano, Arábia Saudita, Jordânia, Síria, Palestina, Pérsia), Rússia e Europa (Grécia, Hungria, Bulgária, Albânia e a região dos Bálcãs, entre outras). Para manter a unidade e o bom funcionamento do império, parecido com uma colcha de retalhos, tamanho era o número de povos e etnias que abrigava, os governantes adotaram um tolerante sistema chamado de millet, termo turco que quer dizer “comunidade religiosa”.
“Cada comunidade religiosa, como a formada pelos cristãos e pelos judeus, gozava de autonomia e funcionava como uma nação não-territorial, participando das trocas econômicas com outras comunidades. Seu líder espiritual era responsável perante ao sultão pelo bom comportamento dos seus”, diz o historiador holandês Peter Demant, autor de O Mundo Muçulmano. Os armênios, que desde o século 3 adotavam a religião cristã, formavam um millet. Eles eram considerados bons comerciantes e alguns integravam a elite do Império.
Então, que motivos levaram o governo otomano a tanta violência contra uma minoria que vivia em harmonia dentro do Império? A primeira justificativa foram as aspirações pan-turquistas (ou pan-turanistas), o sonho otomano de reconstruir uma poderosa nação integrando os povos de origem turca que viviam espalhados na Ásia Central, especialmente em regiões do Turcomenistão e Azerbaidjão. Os armênios, por sua posição geográfica, formavam um enclave bem no meio do caminho. Outra motivação para o genocídio, negada pela Turquia (veja quadro na página 38), foi a causa da independência armênia. Há de se ressaltar que, nesta época, o império já enfrentava a desintegração. Os gregos, por exemplo, já haviam conquistado sua autonomia em 1812. “Os turcos temiam os armênios por sua capacidade intelectual e comercial. Cerca de 60% da atividade econômica do Império estava nas mãos dessa comunidade”, diz o historiador Hagop Kechichian, doutor em história armênia pela Universidade de São Paulo (USP).
Além de causar a morte de milhões de pessoas e quase exterminar um povo, o genocídio também provocou uma grande diáspora. Hoje, além da população de 3,5 milhões de pessoas da República da Armênia, estima-se que cerca de 2,6 milhões de armênios e descendentes vivam na Federação Russa e na República da Geórgia e pouco mais de 2,5 milhões estejam espalhados pelo resto do mundo, principalmente nos Estados Unidos, Canadá, França, Irã, Argentina, Líbano, Síria e Austrália. No Brasil, a comunidade armênia tem em torno de 60 a 70 mil pessoas. Não importa onde estejam, a luta dos armênios hoje é uma só: o reconhecimento do genocídio pelo mundo.
"Minha família viveu na Armênia Ocidental e fez parte das caravanas de deportados. Meu bisavô materno, antes de escapar para a Síria, presenciou o fuzilamento de três irmãos e do pai. Sua mãe cometeu suicídio. Eles começaram a chegar na América do Sul em 1923. Nós perdemos tudo e tivemos de recomeçar do zero."
Garbis Bogiatzian, 23 anos, nascido em São Paulo
"Minha irmã mais velha morreu de frio durante a fuga da minha famíla para o Líbano. Lembro-me de meus pais contando histórias terríveis, de pessoas sendo degoladas e de mulheres grávidas apunhaladas por policiais turcos que arrancavam seus filhos do ventre. Me recordo de um episódio em que, tentando escapar, alguns conterrâneos entraram numa igreja e foram barbaramente incendiados."
Arusiak Nersissian, 78 anos, nascida em Beirute, Líbano
"Durante o genocídio, meu pai foi separado dos meus avós e enviado para um orfanato. Lá, sofreu abusos. Quando ficou mais velho, fugiu para a Romênia. Depois, para o Líbano. No Brasil, chegou no final dos anos 20. Ele não falava a língua e não conhecia ninguém. Integro o Conselho Nacional Armênio, entidade internacional que luta pelo reconhecimento das atrocidades contra meu povo."
Simão Kerimian, 59 anos, nascido em Bela Vista (MS)
Versão turca
A Turquia admite que houve uma "terrível mortalidade" entre os armênios, mas nega o genocídio
No mesmo momento em que se esforça para ingressar na União Européia, a Turquia sofre pressão para reconhecer as atrocidades cometidas contra o povo armênio. Passados 90 anos da tragédia, o genocídio só é reconhecido pela França, Austrália, Argentina, Suécia, Itália, Chipre, Grécia e Uruguai e por organizações internacionais como o Parlamento Europeu, a Comissão de Direitos Humanos da ONU e o Conselho Ecumênico das Igrejas. Os armênios, no entanto, não contam com o apoio oficial dos Estados Unidos, que têm na Turquia o seu mais forte aliado no mundo muçulmano. O país desempenha um relevante papel no xadrez político global e abriga bases da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O governo turco nega que tenha ocorrido um genocídio, apesar de reconhecer que “os armênios sofreram, sim, uma terrível mortalidade”, e afirma que agiu para garantir a soberania nacional. O país diz ainda que o número de mortos alegados pelos historiadores é exagerado. “Estudos demográficos provam que antes da Primeira Guerr Mundial menos de 1,5 milhão de armênios viviam em todo Império Otomano. Portanto, alegações de que mais do que 1,5 milhão de armênios da Anatólia Oriental morreram só podem ser falsas”, afirma o Ministério das Relações Exteriores da Turquia. “Se por um lado, existe um imenso e profundo volume de conhecimento sobre o holocausto, por outro, grande parte da história do crepúsculo do Império Otomano ainda não foi contada, faltando detalhamento para que conclusões possam ser tiradas sobre o que realmente aconteceu.”
O mapa da morte
A carnificina espalhou-se pelo Império Otomano
Monte ararat
O símbolo nacional dos armênios, local em que os cristãos acreditam ter ancorado a arca de Noé depois do dilúvio, fica agora em território turco. Da capital armênia Yerevan, onde moram 1,2 milhão de pessoas, é possível avistá-lo.
Rota da morte
O destino final das deportações era o deserto de Der-El-Zor, hoje Síria e na época parte do Império Otomano. Estima-se que dos 500 mil armênios deportados, apenas 90 mil tenham sobrevivido.
Cerco de Van
Era uma das mais prósperas cidades armênias no início do século passado. Foi cercada pelas tropas turcas e acredita-se que mais de 50 mil pessoas tenham sido mortas ali. O episódio é retratado no filme Ararat, do cineasta Atom Egoyan, canadense de origem armênia.
Saiba mais
Livro
Massacre de Armênios, Nubar Kerimian, Igreja Apostólica Armênia do Brasil, 1988 - Traz fotos do genocídio e o depoimento de Naim Bei, turco que participou diretamente do massacre.
Sites
www.armenian-genocide.org - Mapas, dicas de leitura e um esclarecedor FAQ (Frequently Asked Questions) sobre o genocídio.
www.armenia.com.br/hayk.htm#osa - Apanhado histórico dos armênios até a atualidade.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
GENOCÍDIO ARMÊNIO
O que é mais importante, ser fiel ao passado histórico ou manter boas relações no presente?
Chama eterna no memorial do genocídio, Armênia. Foto: Corel Stock Photo.
Um assunto alvoroçou o Congresso Estadunidense em março de 2010: a votação que reconheceria a matança de armênios no início do século XX com o título de genocídio.
Mas, o que significa esta palavra? Vamos conhecer sua origem!
O radical genos vem do grego e significa: origem, povo, nação. Já cidium, vem do latim, e quer dizer cortar, matar. Juntando os dois radicais descobriremos que genocídio significa matar um povo.
Vamos ir mais além, observando a definição do Dicionário Aurélio:
“Crime contra a humanidade, que consiste em, com o intuito de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, cometer contra ele qualquer dos atos seguintes: matar membros seus; causar-lhes grave lesão à integridade física ou mental; submeter o grupo a condições de vida capazes de o destruir fisicamente, no todo ou em parte; adotar medidas que visem a evitar nascimentos no seio do grupo; realizar a transferência forçada de crianças dum grupo para outro”.
Foi em 9 de dezembro de 1948, poucos anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, que a ONU aprovou a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, tornando esta prática, passível de punição.
O massacre armênio (1915-1918)
O território que hoje pertence à Armênia, no passado fez parte do Império Otomano; e foi durante esta dominação entre os anos de 1894-1896, que se iniciaram os primeiros massacres. O auge da matança ocorreu entre 1915-1918 quando milhares de Armênios foram deportados participando de longas marchas pelo deserto, padecendo de frio, fome, cansaço e doenças. Calcula-se que no total, 1,5 milhão de armênios foram mortos. O massacre tornou-se mais conhecido no Ocidente graças ao livro de Arnold Toynbee, um historiador inglês, chamado de Atrocidades turcas na Armênia. Acompanhe uma parte de seu relato:
“Caminhavam a passo, a maior parte caindo de fraqueza por falta de alimento. Vimos um pai com uma criança de um dia ao colo e seguido pela mãe, caminhando conforme podiam, forçados pelo bastão do guarda turco. Não era fato extraordinário ver uma mulher cair desfalecida e ser obrigada a levantarse à força de bordoada.” TOYNBEE, Arnold. Atrocidades Turcas na Armênia: Denúncias de grandes personalidades. São Paulo, Paz e Terra, 1993.
National Archives NWDNS-4-P-302.
No cartaz veiculado nos EUA (1917-1919) está escrito: “Um pouco de ajuda pode salvar uma vida. 2,5 milhões de mulheres e crianças estão morrendo de fome. Você não pode deixá-los morrer. Campanha de ajuda Armênia e Síria.”
Após a mortandade, se iniciou uma diáspora de armênios pelo mundo. Se hoje a população do país tem 3,5 milhões de habitantes, outros milhões estão dispersos pelo mundo principalmente na Rússia e EUA. Já para o Brasil, calcula-se que cerca de 70 mil tenham migrado.
Hoje, independente do país em que vivam, os armênios lutam para que o genocídio seja reconhecido no mundo. A Turquia, “herdeira” do Império Otomano apesar de admitir a mortandade, nega a palavra genocídio e diz que os massacres ocorreram numa época de caos que atingiu a região, de guerra civil, agravada por doenças e fome. Para eles, com o colapso do Império, todos os lados tiveram vítimas (os turcos contestam os números armênios dizendo que são um tanto exagerados).
O problema hoje
O que um fato que ocorreu no início do século XX tem a ver com os EUA de 2010? Vamos descobrir…
Nem todos os países do mundo já reconheceram a matança armênia como genocídio. A França, quando votou pelo sim, há poucos anos, teve uma multidão protestando em frente a sua embaixada na Turquia e uma ameaça de boicote aos seus produtos. Já os EUA, quando anunciaram a votação (feita no Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes dos EUA), receberam um aviso de diplomatas e políticos turcos que, o resultado poderia prejudicar as relações entre os dois países.
A Turquia é uma grande aliada estadunidense. É em seu território que os EUA têm uma base aérea que permite enviar suprimentos e homens para o Iraque e o Afeganistão. O país, também é membro da OTAN, tendo o segundo maior exército dessa aliança militar; o que explica ser praticamente obrigatório para os EUA manter boas relações com a Turquia.
A votação relacionada ao genocídio foi assunto nacional, sendo transmitida pela TV turca com grande audiência. O resultado foi apertado: o Congresso reconheceu o genocídio por 23 votos a 22. A secretária de Estado Americano, Hillary Clinton, rejeitou a votação do Congresso e trabalhará para que o Senado americano não reconheça o genocídio.
A polêmica continua, e vamos ver quem vai ganhar: a História ou a diplomacia internacional?
Por Priscila Pugsley Grahl
RECONHECIMENTO PELO ESTADO DO RIO DE JANEIRO O GENOCÍDIO ARMÊNIO E SEUS RESPONSAVEIS
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
2007 Nº Despacho
PROJETO DE LEI nº1142/2007
INSTITUI O DIA EM HOMENAGEM E
SOLIDARIEDADE AO POVO ARMÊNIO
PELA PASSAGEM DO GENOCÍDIO
OCORRIDO CONTRA ESSA NAÇÃO
EM 24 DE ABRIL DE 1915.
Autor: Vereador Stepan Nercessian
A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
Decreta:
Art. 1º Fica instituído no Município do Rio de Janeiro, O DIA
EM HOMENAGEM AO POVO ARMÊNIO.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Plenário Teotônio Villela, 24 de ABRIL de 2007.
Stepan Nercessian
Vereador - PPS
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
JIUSTIFICATIVA
Primeira nação a adotar o cristianismo como religião, a história da Armênia e de
seu povo é repleta de acontecimentos marcantes. Durante os anos finais do
Império Otomano (1915-1923), As estimativas para o número de armênios que
terão perdido a vida durante esse período histórico variam entre 1 milhão e 2
milhões, mas há um consenso entre historiadores do mundo todo na cifra de 1,5
milhão de armênios mortos. A morte dessas pessoas é lembrada pelos armênios
em todo o mundo a 24 de Abril.
A Primeira Guerra Mundial resultou trágica para os armênios, pois deu
oportunidade aos Jovens Turcos de realizarem seu premeditado projeto de
liquidar o povo armênio. Na noite de 24 de abril de 1915 foram aprisionados em
Constantinopla mais de seiscentos intelectuais, políticos, escritores, religiosos e
profissionais armênios,que foram deportados ao interior do país e selvagemente
assassinados no caminho. Depois de privar o povo de seus dirigentes, começou a
deportação e o massacre dos armênios que habitavam os territórios asiáticos do
Império. Mewlazada Rifar, membro do Comitê de União e Progresso, em seu livro
"Bastidores obscuros da revolução turca", disse:
" Em princípios de 1915 a Comitê de União e Progresso, em uma sessão secreta
presidia por Talat, decide o extermínio dos armênios. Participaram da reunião
Talat, Enver, o Dr. Behaeddin Shakir, Kara Kemal, o Dr. Nazim Shavid, Hassan
Fehmi e Agha Oghlu Amed. Designou-se uma comissão executora do programa
de extermínio integrada pelo Dr. Nazim, o Ministro da Educação Shukri e o Dr.
Behaeddin Shakir. Esta comissão resolveu libertar da prisão os 12000 criminosos
que cumpriam diversas condenações e aos quais se encarregava o massacre dos
armênios”.
“O Dr. Nazim bei escreve: “Se não existissem os armênios, com uma só indicação
do Comitê de União e Progresso poderíamos colocar a Turquia no caminho
requerido”. O Comitê decidiu liberar a pátria desta “raça maldita ” e assumir ante
a historia otomana a responsabilidade em que este fato implica. Resolveu
exterminar todos os armênios residentes na Turquia, sem deixar vivo a um só
deles;nesse sentido foram outorgados amplos poderes ao governo.”.
A cidade de Alepo caiu nas mãos dos ingleses e foi encontrado muitos
documentos que confirmavam o extermínio dos armênios ido organizada pelos
turcos. Um destes documentos é um telegrama circular dirigido a todos os
governadores:
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
“À Prefeitura de Alepo: Já foi comunicado que o governo decidiu exterminar
totalmente os armênios habitantes da Turquia. Os que se opuserem a esta ordem
não poderão pertencer então à administração. Sem considerações pelas
mulheres, as crianças e os enfermos, por mais trágicos que possam ser os meios
de extermínio, sem executar os sentimentos da conseqüência, é necessário por
fim à sua existência. 13 de setembro de 1915. O Ministro do Interior, Talat.”
Alguns testemunhos, René Pineau escreve: “Em geral, as caravanas de armênios
deportados não chegavam muito longe. À medida em que avançavam, seu
numero diminuía com conseqüência da ação dos fuzis, dos sabres, da fome e do
esgotamento... Os mais repulsivos instintos animais eram feitos com essas
desgraçadas criaturas. Torturavam e matavam. Se alguns chegavam a
Mesopotâmia, eram abandonados sem defesa, sem viveres, em lugares
pantanosos do deserto: o calor , a umidade e as enfermidades acabavam, sem
divida, com a vida deles”.
Uma viajante alemã escutou o seguinte de uma armênia, em uma das estações
do padecimento de um grupo de montanheses armênios: “Por que não nos matam
logo? De dia não temos água e nossos filhos choram de sede;e pela noite os
maometanos vem a nossos leitos e roubam roupas nossas, violam a nossas filhas
e mulheres. Quando já não podemos mais caminhar, os soldados nos espancam .
Para não serem violentadas , as mulheres se lançam à água, muitas abraçando a
crianças recém nascidas”.
Alem de todas as brutalidades exercidas contra o povo armênio, o governo turco
cometeu outra vileza: a maioria dos jovem armênios mobilizados ao começar a
guerra não foram enviados à frente, mas que integraram brigadas para
construção de caminhos. Ao terminar o trabalho todos eles foram fuzilados por
soldados turcos.
Jacques de Morgan assim se refere às deportações, aos massacres e aos
sofrimento padecidos pelos armênios:
“Não há no mundo um idioma tão rico, tão colorido, que possa descrever os
horrores armênios, para expressar os padecimentos físicos e morais de tão
inocentes mártires. Os restos dos terríveis massacres, todos testemunhos da
morte sues entes queridos, foram concentrados em determinados lugares a
submetido a torturas indescritíveis e a humilhações que faziam preferir a morte”.
Nos anos de 1915-16 foram exterminados mais de um milhão de armênios, a
Armênia Ocidental foi devastada e despovoada, e o povo armênio perdeu
inúmeras riquezas e inapreciáveis tesouros culturais.
Depois da guerra tudo isto foi esquecido, e os criminosos turcos nunca tiveram
seu Nuremberg.
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
O povo armênio não desapareceu quando estavam nos desertos da mesopotâmia
as mães armênias ensinavam a ler aos seus filhos desenhando as letras do
alfabeto armênio na areia
Até hoje é relembrado o dia 24 de abril e o povo armênio nunca esqueceu do que
aconteceu e sempre lutou para recuperar as terras que foram dominadas pelos
turcos.
Um especial aspecto que deve ser enfatizado, reside no fato de que embora
historicamente comprovado tudo o que aconteceu contra o povo armênio, há
ainda uma grande dificuldade em obter o reconhecimento oficial da comunidade
de nações, através de seu organismo maior –ONU, de que tal fato ocorreu e de
se obter as devidas reparações históricas e reconhecimento de direitos.
Como vereador dessa cidade maravilhosa e descendente de armênios me sinto
emocionado em poder relembrar esse fato histórico tão doloroso para a
humanidade e prestar essa homenagem aos meus queridos irmãos, para que
nunca mais nenhuma atrocidade venha a ser cometida contra qualquer povo.
E em nome do povo carioca tão generoso e solidário, me sinto honrado em ser
porta-voz de tal iniciativa, motivo pelo qual submeto o presente projeto de lei aos
meus pares.
2007 Nº Despacho
PROJETO DE LEI nº1142/2007
INSTITUI O DIA EM HOMENAGEM E
SOLIDARIEDADE AO POVO ARMÊNIO
PELA PASSAGEM DO GENOCÍDIO
OCORRIDO CONTRA ESSA NAÇÃO
EM 24 DE ABRIL DE 1915.
Autor: Vereador Stepan Nercessian
A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
Decreta:
Art. 1º Fica instituído no Município do Rio de Janeiro, O DIA
EM HOMENAGEM AO POVO ARMÊNIO.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Plenário Teotônio Villela, 24 de ABRIL de 2007.
Stepan Nercessian
Vereador - PPS
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
JIUSTIFICATIVA
Primeira nação a adotar o cristianismo como religião, a história da Armênia e de
seu povo é repleta de acontecimentos marcantes. Durante os anos finais do
Império Otomano (1915-1923), As estimativas para o número de armênios que
terão perdido a vida durante esse período histórico variam entre 1 milhão e 2
milhões, mas há um consenso entre historiadores do mundo todo na cifra de 1,5
milhão de armênios mortos. A morte dessas pessoas é lembrada pelos armênios
em todo o mundo a 24 de Abril.
A Primeira Guerra Mundial resultou trágica para os armênios, pois deu
oportunidade aos Jovens Turcos de realizarem seu premeditado projeto de
liquidar o povo armênio. Na noite de 24 de abril de 1915 foram aprisionados em
Constantinopla mais de seiscentos intelectuais, políticos, escritores, religiosos e
profissionais armênios,que foram deportados ao interior do país e selvagemente
assassinados no caminho. Depois de privar o povo de seus dirigentes, começou a
deportação e o massacre dos armênios que habitavam os territórios asiáticos do
Império. Mewlazada Rifar, membro do Comitê de União e Progresso, em seu livro
"Bastidores obscuros da revolução turca", disse:
" Em princípios de 1915 a Comitê de União e Progresso, em uma sessão secreta
presidia por Talat, decide o extermínio dos armênios. Participaram da reunião
Talat, Enver, o Dr. Behaeddin Shakir, Kara Kemal, o Dr. Nazim Shavid, Hassan
Fehmi e Agha Oghlu Amed. Designou-se uma comissão executora do programa
de extermínio integrada pelo Dr. Nazim, o Ministro da Educação Shukri e o Dr.
Behaeddin Shakir. Esta comissão resolveu libertar da prisão os 12000 criminosos
que cumpriam diversas condenações e aos quais se encarregava o massacre dos
armênios”.
“O Dr. Nazim bei escreve: “Se não existissem os armênios, com uma só indicação
do Comitê de União e Progresso poderíamos colocar a Turquia no caminho
requerido”. O Comitê decidiu liberar a pátria desta “raça maldita ” e assumir ante
a historia otomana a responsabilidade em que este fato implica. Resolveu
exterminar todos os armênios residentes na Turquia, sem deixar vivo a um só
deles;nesse sentido foram outorgados amplos poderes ao governo.”.
A cidade de Alepo caiu nas mãos dos ingleses e foi encontrado muitos
documentos que confirmavam o extermínio dos armênios ido organizada pelos
turcos. Um destes documentos é um telegrama circular dirigido a todos os
governadores:
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
“À Prefeitura de Alepo: Já foi comunicado que o governo decidiu exterminar
totalmente os armênios habitantes da Turquia. Os que se opuserem a esta ordem
não poderão pertencer então à administração. Sem considerações pelas
mulheres, as crianças e os enfermos, por mais trágicos que possam ser os meios
de extermínio, sem executar os sentimentos da conseqüência, é necessário por
fim à sua existência. 13 de setembro de 1915. O Ministro do Interior, Talat.”
Alguns testemunhos, René Pineau escreve: “Em geral, as caravanas de armênios
deportados não chegavam muito longe. À medida em que avançavam, seu
numero diminuía com conseqüência da ação dos fuzis, dos sabres, da fome e do
esgotamento... Os mais repulsivos instintos animais eram feitos com essas
desgraçadas criaturas. Torturavam e matavam. Se alguns chegavam a
Mesopotâmia, eram abandonados sem defesa, sem viveres, em lugares
pantanosos do deserto: o calor , a umidade e as enfermidades acabavam, sem
divida, com a vida deles”.
Uma viajante alemã escutou o seguinte de uma armênia, em uma das estações
do padecimento de um grupo de montanheses armênios: “Por que não nos matam
logo? De dia não temos água e nossos filhos choram de sede;e pela noite os
maometanos vem a nossos leitos e roubam roupas nossas, violam a nossas filhas
e mulheres. Quando já não podemos mais caminhar, os soldados nos espancam .
Para não serem violentadas , as mulheres se lançam à água, muitas abraçando a
crianças recém nascidas”.
Alem de todas as brutalidades exercidas contra o povo armênio, o governo turco
cometeu outra vileza: a maioria dos jovem armênios mobilizados ao começar a
guerra não foram enviados à frente, mas que integraram brigadas para
construção de caminhos. Ao terminar o trabalho todos eles foram fuzilados por
soldados turcos.
Jacques de Morgan assim se refere às deportações, aos massacres e aos
sofrimento padecidos pelos armênios:
“Não há no mundo um idioma tão rico, tão colorido, que possa descrever os
horrores armênios, para expressar os padecimentos físicos e morais de tão
inocentes mártires. Os restos dos terríveis massacres, todos testemunhos da
morte sues entes queridos, foram concentrados em determinados lugares a
submetido a torturas indescritíveis e a humilhações que faziam preferir a morte”.
Nos anos de 1915-16 foram exterminados mais de um milhão de armênios, a
Armênia Ocidental foi devastada e despovoada, e o povo armênio perdeu
inúmeras riquezas e inapreciáveis tesouros culturais.
Depois da guerra tudo isto foi esquecido, e os criminosos turcos nunca tiveram
seu Nuremberg.
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
O povo armênio não desapareceu quando estavam nos desertos da mesopotâmia
as mães armênias ensinavam a ler aos seus filhos desenhando as letras do
alfabeto armênio na areia
Até hoje é relembrado o dia 24 de abril e o povo armênio nunca esqueceu do que
aconteceu e sempre lutou para recuperar as terras que foram dominadas pelos
turcos.
Um especial aspecto que deve ser enfatizado, reside no fato de que embora
historicamente comprovado tudo o que aconteceu contra o povo armênio, há
ainda uma grande dificuldade em obter o reconhecimento oficial da comunidade
de nações, através de seu organismo maior –ONU, de que tal fato ocorreu e de
se obter as devidas reparações históricas e reconhecimento de direitos.
Como vereador dessa cidade maravilhosa e descendente de armênios me sinto
emocionado em poder relembrar esse fato histórico tão doloroso para a
humanidade e prestar essa homenagem aos meus queridos irmãos, para que
nunca mais nenhuma atrocidade venha a ser cometida contra qualquer povo.
E em nome do povo carioca tão generoso e solidário, me sinto honrado em ser
porta-voz de tal iniciativa, motivo pelo qual submeto o presente projeto de lei aos
meus pares.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
REPORTAGEM TIRADA DO DIARIO DE NOTICIA
"Os arménios não tiveram direito a defesa"
por
susana salvador24 Abril 2005
susana salvador24 Abril 2005
A família do meu pai é arménia e foi obrigada a abandonar a região onde vivia devido ao genocídio. A minha avó, a minha tia e o meu pai foram os três únicos sobreviventes. Nunca soube como e onde apanharam o barco em que fugiram. Depois refugiaram-se no México. O meu pai durante toda a vida teve documentos mexicanos, daí o no-me Juan. Acabou por ir para França, onde tirou o curso e conheceu a minha mãe. Casaram-se e foram viver para Barcelona, onde fundaram a primeira casa de tapetes orientais da Península Ibérica. Depois houve a Guerra Civil Espanhola e o meu pai, farto de guerras, veio para Portugal. No 25 de Abril disse "Mas será que algum dia vou ter paz?" Eu nasci em Portugal.
O genocídio arménio era um tema debatido na vossa família ou era tabu?
O meu pai evitava falar disso. O que sei sobre o genocídio foi-me dito por outras pessoas. Ele passou muito, não gostava de recordar.
O que lhe contaram?
Contaram-me que o chefe turco naquela altura dizia "Se tiverem arménios como vizinhos, sejam bebés ou não, autorizo-vos a matá--los." Era um assassínio autorizado. O povo arménio não teve direito a defesa, e isso para mim foi o pior.
Que sentia quando lhe contavam essas histórias. Que sente ainda hoje face a esse passado?
Por um lado, tristeza por saber o que o meu pai passou, mas, por outro, orgulho em ser arménio. Porque é raro o arménio que, fora do seu país, não consegue singrar na vida. Existe um combate interior, uma revolta. Não aceitamos a derrota nem nunca mais aceitaremos ser dominados por alguém.
Nos últimos anos a questão do genocídio tem vindo a ser mais falada...
Tinha de acabar por ser falada. O genocídio já é reconhecido em França e todos os países vão ter de acabar por fazer o mesmo. A própria Turquia, se quiser fazer parte da União Europeia, vai ter de o declarar oficialmente.
Acha que isso vai acontecer?
O dinheiro faz tudo. Por causa do dinheiro do mercado comum eles vão fazer tudo. O dinheiro prostitui as pessoas.
Hoje, os arménios ainda vêem os turcos como o inimigo?
Para mim não, mas para algumas pessoas ainda o são. Há uns anos estive em Istambul e na recepção do hotel havia um rapaz turco, com 22 anos. Quando lhe dei o meu passaporte ele reparou no nome, Hapetian. "Sou arménio", afirmei; ele ficou calado. Três dias depois, quando volto para fazer o checkout e recuperar o meu passaporte, decido comprar alguns postais. No momento de os pagar, o mesmo turco disse-me "Para si é grátis." Isso tocou-me muito.
Os turcos já começam a reconhecer os erros da sua história?
Os antigos não e a nova geração não se preocupa. A vida, ao contrário do ódio, tem de continuar. Tem de haver união entre as pessoas, porque é a união que faz a força
NOTICIA
Primeiro-ministro ameaça deportar 100 mil armênios ilegais da Turquia; país retira embaixador dos EUA
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, avisou que pode deportar até 100 mil armênios residentes ilegais no país depois que os Estados Unidos e a Suécia aprovaram a resolução que qualificou como genocídio a matança de armênios durante a Primeira Guerra Mundial pelo extinto Império Otomano. Erdogan também alertou que a aprovação da resolução poder afetar o progresso no frágil processo de reconciliação entre a Turquia e a Armênia.Em São Paulo
Raio-x da Turquia
Nome oficial: República da Turquia
Tipo de governo: Democracia Parlamentar Republicana
Capital: Ancara
Divisão administrativa: 81 províncias
População: 76.805,524
Grupos etnicos: Turcos 70-75%, Curdos 18% e outras minorias 7-12%
Religiões: Muçulmanos 99.8% (maioria sunita), outros 0.2% (maioria Cristãos e Judeus)
Idiomas: Turco (oficial), Curdo e outras minorias
Fonte: CIA World Factbook 2009
Depois da decisão, a Turquia retirou seus embaixadores em Washington, nos EUA, e em Estocolmo, na Suécia. A aprovação nos EUA é provisória e o governo de Barack Obama promete impedir sua aprovação para limitar o estrago diplomático. O chanceler sueco, Carl Bildt, disse que a votação pode complicar os esforços de Turquia e da Armênia para normalizarem suas relações após um século de hostilidade.
A questão do massacre de armênios é muito delicada na Turquia, que admite que muitos armênios cristãos foram mortos pelos turcos otomanos, mas nega veementemente o número de vítimas apontado pela Armênia e negam que o massacre tenha sido um genocídio --termo recorrentemente empregado por muitos historiadores ocidentais e por alguns parlamentos.
A maioria dos armênios imigrantes vive e trabalham em Istambul e chegou no país após o terremoto de 1988. Cerca de 170 mil vivem na Turquia e apenas 70 mil são legalizados.
História
Centenas de milhares de armênios morreram entre 1915 e 1916, quando eles foram deportados em massa da Anatólia Oriental (leste da Turquia) pelo Império Otomano. Alguns foram mortos e outros morreram de fome ou de doenças.
A Armênia alega que cerca de 1,5 milhão de seus cidadãos morreu na ocasião, mas a Turquia sustenta que o número de mortos seria de cerca de 300 mil, menos de um terço do que dizem os armênios, e que turcos também morreram durante as operações.
O governo turco reconhece que foram cometidas atrocidades, mas argumenta que elas faziam parte de uma guerra e que não eram uma tentativa de destruição sistemática dos cristãos armênios.
A questão também não é consenso entre os historiadores. Muitos consideram que as mortes tenham sido orquestradas sistematicamente pelos turcos --o que indicaria um genocídio--, e alguns outros, além do governo turco, questionam este argumento.
A Armênia quer que a Turquia reconheça as mortes como um "ato de genocídio", mas sucessivos governos turcos se recusaram a fazê-lo.
O país também tem feito uma campanha pelo reconhecimento internacional dos eventos como genocídio, o que já foi feito por 20 países.
*Com informações de agências internacionais
FILME RUA PARAISO ( 1992 )
RUA PARAÍSO (1992)
588, Rue ParadisFicha Técnica
| Outros Títulos: | Mother (Estados Unidos) Quella strada chiamata paradiso (Itália) |
| Gênero: | Drama |
| Direção: | Henri Verneuil |
| Roteiro: | Henri Verneuil |
| Produção: | Mark Lombardo |
| Design Produção: | Pierre Guffroy |
| Música Original: | Jean-Claude Petit |
| Fotografia: | Edmond Richard |
| Edição: | Henri Lanoë |
| Figurino: | Catherine Gorne-Achdjian, Chouchane Tcherpachian |
| Maquiagem: | Jacky Bouban, Paul Le Marinel, Manlio Rocchett |
| Efeitos Sonoros: | Jean-François Auger, Alain Sempé, François Groult e outros |
| Pais: | França |
| Nota: | 7.8 |
| Filme Assistido em: | 1993 |
Elenco
| Omar Sharif | Sr. Hagop, pai de Pierre |
| Richard Berry | Azad Zakarian ou Pierre Zakar |
| Claudia Cardinale | Mayrig, mãe de Pierre |
| Nathalie Roussel | Gayané, tia de Pierre |
| Diane Bellego | Carole, esposa de Pierre |
| Jacky Nercessian | Apkar |
| Isabelle Sadoyan | Anna, tia de Pierre |
| Zabou Breitma | Astrid Sétian |
| Jacques Villeret | Alexandre Pagés |
| Danièle Lebrun | Mãe de Alexandre |
| Sylvie Joly | Georgette Sylva |
| Maurice Chevit | Nazareth |
| Cédric Doucet | Azad, aos 7 anos |
| Ève Ruggieri | Ève |
| Bernard Musson | Mordomo |
| Henri Verneuil | Padre, na igreja armênia |
Sinopse
Às vésperas da estréia em Paris de mais uma de suas peças, o teatrólogo Pierre Zakar concede uma entrevista à televisão francesa. À Ève, a entrevistadora, ele fala de sua infância, de como se apaixonou pelo teatro, depois de ter se formado em engenharia, como conheceu sua mulher, Carole, e evidentemente de sua obra.Nascido na Armênia em 1915, com o nome de Azad Zakarian, mudou-se em 1921, com sua família, para Marselha, onde viveu até se tornar engenheiro. Seus pais, Hagop e Mayrig, montaram uma pequena loja na cidade, sendo ajudados por suas tias, Anna e Gayané. Não sendo ricos, moravam na zona pobre da Rua Paraíso. A outra metade da rua era marcada por suas mansões, onde residiam as famílias abastadas da cidade. Uma das passagens de sua infância em Marselha que mais o marcaram, foi a ida à mansão de um colega de escola, Alexandre, onde, ao chegar lá, foi humilhado por ele e por outros colegas ricos. Quanto à Carole, ele a conheceu no Hotel Royal, em Evian, à beira do Lago Léman. Alguns meses depois, os dois se casaram e tiveram dois filhos, Adrien de 10 anos e Charlotte de 12 anos.
No dia do ensaio geral de sua nova peça, "O Anel", seu pai chega à Paris e é levado para uma das mais caras suítes do Hôtel Royal Elysée, reservada por Carole, onde ele fica sozinho. Após o almoço, vai até a rua do teatro e fica, sentado num banco, admirando o nome do filho no anúncio luminoso instalado em sua fachada.
Finalmente, chega a hora da estréia de "O Anel". Antes da abertura das cortinas, Pierre observa a platéia lotada, onde se acham celebridades, críticos, Carole e seus convidados, e pessoas comuns. Ao voltar para sua sala, lê algumas mensagens que lhe foram enviadas com votos de sucesso. Ao sair para fazer um lanche num Café, conhece uma jovem armênia, Astrid Sétian, responsável pela edição de um jornalzinho mensal e sua fã. Pierre retorna ao teatro no momento em que as cortinas se fecham, sendo cumprimentado por críticos e por outras pessoas.
Ao ver uma reportagem feita com os pais de Pierre, na "Paris Match", Carole fica uma fera por achar que a mesma passa a idéia de que os mesmos são pessoas pobres e, por conseqüência, que não são ajudados por eles. Instigado pela mulher, Pierre telefona ao pai reclamando do ocorrido. O Sr. Hagop não diz uma palavra. Logo depois, o teatrólogo o procura no luxuoso Hôtel Royal Elysée e não o encontra. Na recepção, o informam que o Sr. Hagop pagou a conta e partiu em seguida, deixando apenas um bilhete para lhe ser entregue, o qual diz: "Volto para casa, onde nossa porta e nossa mesa sempre estiveram abertas para um amigo de passagem. Depois de seu telefonema, comprei a tal revista e a folheei com tristeza, procurando algo que pudesse ser motivo de vergonha para você e não encontrei nada. Ao falar comigo pelo telefone, demonstrando toda a raiva que sentia naquele momento, talvez não tenha tido a coragem de mencionar seu depósito mensal. Saiba, meu filho, que todo esse dinheiro acha-se na caixa existente em nossa cômoda. Esse dinheiro é seu e nunca tocaremos nele. Ele terá servido, apenas, para nos dar a ilusão de que poderíamos deixar de trabalhar quando quiséssemos, graças a nosso querido filho. Para não magoar sua mãe, direi que fui recebido como um príncipe, o que é uma verdade a julgar pelo tamanho e o luxo da suíte que Carole reservou para mim. Estou indo embora. Teu velho pai, Hagop".
Já em Marselha, ao caminhar arrasado com a falta de calor humano encontrada em Paris, o Sr. Hagop tem um infarto e morre na rua. No funeral, Pierre sente-se culpado pelo ocorrido, principalmente por ter aceito a sugestão de Carole de não levá-lo para sua casa, largando-o sozinho num hotel. Esta, já na sala de embarque do aeroporto, propõe ao marido que a sogra passe alguns dias em Paris, onde ela tem amigos, desde que não se hospede com eles. Em resposta, Pierre diz à mulher que há anos vem suportando em silêncio a amante do pai dela, seus amigos imbecis, seu irmão insuportável e suas irmãs idiotas. Continuando, diz que chegou a hora de dar um basta em tudo isso e passar a cuidar mais de sua mãe. Carole embarca com os filhos, enquanto Pierre volta à casa da mãe, onde a encontra rodeada de grandes e velhos amigos, recebendo a solidariedade de todos.
Mayrig é convencida a passar uns tempos em Paris na casa do filho. Lá, recebe o carinho dos netos e, principalmente, de Pierre. Quando Adrien demonstra o interesse em usar o nome original da família, Zakarian, e Charlotte o de aprender a língua armênia, Carole procura o marido e diz que os filhos estão sendo influenciados pela avó, de modo que, naquela casa ou fica ela ou Mayrig. Imediatamente, Pierre chama os filhos e, na frente de Carole, pergunta aos mesmos quais os motivos que os levaram a se interessarem pelo armênio. A resposta dada por cada um não tem a menor ligação com a avó. Diante do constatado, Pierre diz à Carole que ela é quem deverá deixar a casa. Assim, o casal se separa.
Pierre procura a jovem Astrid Sétian, a fim de ouvi-la sobre a melhor forma de fazer para que seus filhos aprendam o idioma armênio. Por coincidência, além de tomar conta de uma livraria especializada na cultura armênia e de imprimir mensalmente o jornalzinho "Horizons", na mesma língua, ela é ainda professora do idioma.
Seis meses se passam desde que Carole foi embora. A peça "O Anel" continua a fazer sucesso com a casa cheia todas as noites. As crianças fazem progresso no armênio. Mayrig insiste em voltar para Marselha. Sem que ela saiba, Pierre adquire a bela mansão da Rua Paraíso, nº 588, contrata empregados e faz uma grande surpresa à mãe, com o compromisso de visitá-la com freqüência.
De volta à Paris, ao apanhar os filhos no curso de armênio, convida Astrid para jantar um dia com eles, no que é fortemente apoiado pelas crianças.
Críticas
"Rua Paraíso" é um ótimo e comovente filme francês. Escrito e dirigido pelo cineasta de origem armênia, naturalizado francês, Henri Verneuil, narra a história de um bem-sucedido teatrólogo, igualmente armênio, desde sua infância pobre em Marselha.Partindo de um roteiro inteligente por ele escrito, Verneuil apresenta, com habilidade, sutileza e realismo, um filme que procura mostrar a importância das relações humanas, principalmente daquelas ligadas à família. Sua mensagem diz respeito a valores, tradições e amor, que podem se aplicar a todas as culturas.
A música de Jean-Claude Petit e o excelente trabalho apresentado pelos principais atores também são dignos de nota.
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